Muito tempo sem escrever, mas vamos lá!
Sim, comecei meu tratamento. Oxaliplatina venosa e quatorze dias de comprimido xeloda oral. Sexta-feira já vou pra terceira sessão venosa, terceira de seis, talvez oito se precisar. Que luta, gente!
No dia que eu tomei a primeira sessão venosa, ela parecia tão suportável! Mas dois dias depois vieram me mostrar que ela é bem arrasadora. Muito enjoo, náusea, vomito, diarreia, falta de apetite...é, foram cinco dias assim. Depois foi passando aos poucos e diminuindo os efeitos negativos e o comprimido, até agora, se mostra muito tranquilo. Após essa uma semana fatídica, consegui levar uma vida normal.
Na segunda sessão foi um pouco pior. Não foram só cinco dias, foram uns oito dias sofrendo muito, os efeitos negativos foram piores, juro que pensei em desistir. Ameacei sentir auto-piedade novamente e perguntar porque cargas d'água eu, logo eu, tenho que passar por isso. Mas ai eu me lembrei que tenho todo uma vida lá fora, uma vida que eu já conheço, com oxigênio lá fora, oportunidades, sol, chuva, pessoas, sentimentos, uma vida sem enjoo, sem passar horas do banheiro, sem sentir ânsia de vomito...uma vida que eu estou muito disposta a ter de volta. E vai acontecer.
Meu médico me recomendou um remédio, relativamente novo pra esses fins, que promete amenizar esses efeitos cruéis da quimioterapia. Olanzapina, um antipsicótico, que pelo que eu pesquisei no amigo google, serve para o tratamento de esquizofrenia, bipolaridade, entre outros, mas quando administrado em doses pequenas, é uma poderosa arma contra o enjoo e as náuseas.
Vamos então testar!
A cada passo, a cada dia, a cada sessão de quimioterapia, é menos um passo, menos um dia, menos uma sessão que nós temos que passar.
Tudo vai ficar bem.
Sem Pena de Si
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Tenho que me habituar ainda a esse negócio de blog. Estou um tempinho sem escrever, mas hoje eu tenho novas notícias. Fui ao meu oncologista pra saber qual o próximo passo para meu tratamento. Ele como sempre, foi super fofinho e confortante, e me explicou pormenorizadamente como ele pretende fazer. Me falou de uma quimioterapia nova na qual vou fazer 8 sessões.
O negócio funciona da seguinte forma, eu vou a clínica e tomo uma dose na veia, ai a partir do outro dia eu passo a me medicar de maneira oral, 3 comprimidos pela manhã e 3 a noite durante 14 dias. Depois de 21 dias a contar da aplicação venosa, eu volto e repito tudo. O nome da droga é capecitabina. Ele me falou que os efeitos são bem mais leves que das quimios tradicionais. Menos enjoo, menos mal estar, sem queda de cabelo (provavelmente). Agora só falta saber se o meu plano irá autorizar esse tipo de tratamento, porque está pra nascer alguma organização mais ruim de jogo que a do meu plano. Mas enfim, vamos contar com a ajuda de Deus pra ser feito da melhor maneira. Até aqui Ele tem me ajudado e MUITO. Me colocou um super médico no caminho, depois um dos melhores cirurgiões e agora o melhor oncologista de todos.
Eu estou muito confiante, perguntei ao meu onco se eu tenho chances reais de ficar livre disso e ele respondeu que sim. Eu confio muito nele também, até hoje ele nunca mentiu pra mim sobre nada e é sempre ótimo nas suas explicações, então eu sei, eu tenho certeza que eu vou ficar boa mesmo.
Na vida a gente passa por muitas fases. Muitas boas, algumas ruins ou vice e versa, porém de uma forma ou de outra as coisas acabam mudando. Têm coisas que sinceramente partem o coração e querem colocar em xeque tudo aquilo que a gente acredita, mas meu coração não pode ser tão fraco assim. E não é.
Pensei muito esses dias e tudo esta cooperando pro meu bem. Tudo que já expus acima. Os médicos, a cirurgia bem sucedida, a juventude, mas se você esta passando por isso e não é tão jovem, não tem porque desanimar. Pode parecer que não, mas o ser humano é forte e a medicina tem avançado de maneira incrível.
As vezes me pego pensando em quantas porradas do Chuck Norris a gente não tem que levar pra perceber as coisas que realmente são importantes na nossa vida. Tanta coisa vã que eu já me preocupei, tanto choro por besteira, tanto estresse e agora eu to aqui, querendo segurar a minha vida com o máximo de força que eu consigo. Não deixar escapar nada. Não me importo se eu enjoar, se eu vomitar, eu vou lá faço outro prato e como de novo! Se meu cabelo cair, eu compro peruca, eu uso lenço, eu invento a minha moda...cabelo cresce! A coloração da pele volta ao normal. Só não aceito abrir mão dos planos e tudo que eu sei que Deus ainda tem pra mim.
Enfim, o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer.
Nesse caso, eu penso que a noite pode ser longa e dura demais sabe? Mas SEMPRE vai ter um amanhecer, um amanhã, um conforto e eu nunca vou esquecer o que o meu Doutor falou na minha primeira consulta na oncologia. "Voce vai passar por momentos difíceis, mas não esqueça da pessoa que você é e aquilo que você vai voltar a ser".
E eu não esqueço, eu sou muito forte e eu sei que vai amanhecer na minha vida.
Beijos
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Meu oncologista pediu um exame detalhado chamado Pet-scan, pra saber se existe mais alguma coisa comprometida, posto que na cirurgia foram encontrados 47 linfonodos com metástase e saber se vai ser necessário mais algum tipo de tratamento ou qual tratamento, mas o pedido foi negativado. O problema é que esse exame é alguma coisa de medicina nuclear e é muito claro. Verifica do seu dedão do pé ao fio de cabelo.
Estamos tentando de novo, mas meu médico falou que se não tiver uma resposta positiva, vamos começar o tratamento sem isso.
Preciso me agarrar mais em Deus. Me deu uma tristeza muito grande isso tudo. Meu namorado comprou uma viagem para gente ir a Paraty, ah, como eu adoro Paraty! Mas eu sinceramente não sei como vou estar, o que vai acontecer daqui há umas semanas. Se estarei enjoada, com vitalidade, com cabelo...rs
Uma coisa eu me envaideço, eu devo ser muito forte mesmo. Não dizem que Deus não da um fardo que a pessoa não pode suportar? Então eu suporto.
Existem coisas ruins que acontecem as vezes e a gente não entende, briga, fica com o coração cheio de raiva. Mas eu não aceito que isso tudo seja em vão. Seja só sofrimento e morte. Não é. Eu tenho muita vida ainda.
Eu já falei sobre a minha alimentação?
O certo seria eu me alimentar de líquidos durante um mês, depois passar pra pastoso e só depois tentar comer alimentos sólidos pra me habituar. Mas eu acho que na minha cirurgia me colocaram um estômago de ruminante no lugar do doente. EU SINTO MUITA FOME. Pedi com cara de cachorro pidão ao meu oncologista para que eu pudesse comer normal, ele conversou com meu cirurgião e liberou, desde que eu comesse muito devagar e mastigasse MUITO. Sim, ele me mandou um e-mail com a palavra "muito" em caixa alta.
Eu ainda tenho cabeça de gordo, como com os olhos...muitas vezes depois da refeição fico empanzinada e tomo Gaviscon...mas sempre melhora. Esse final de semana sai e me enchi de pizza, mas é claro que depois veio mal estar, quando passou o mal estar resolvi comer pouco na próxima refeição, mas no almoço do outro dia, fiz de novo...ah, eu não aprendo. rs
Mas eu não vou deixar minha vida parar, eu não vou deixar isso roubar tudo de mim. A minha alegria, a minha maneira de ver o mundo, o meu amor pela vida, o meu amor principalmente por Deus, a minha ironia e o meu estilo.
É só uma fase.
sábado, 17 de novembro de 2012
O início
Ei, bom dia!
Estava navegando na internet e olhando páginas sobre gastrectomia, alimentação e tudo mais e me deu uma vontade de criar um blog. Sim, meu próprio blog. Dividindo minha experiência com os meus amigos, familiares e as pessoas que estão passando por essa fase. Quando eu digo "fase" é porque eu sou o exemplo vivo que tudo na vida tem jeito e a própria bíblia fala que no mundo a gente vai passar por tribulações, mas lá em momento nenhum diz que a gente vai permanecer nas tribulações.
O que é gastrectomia total? É um procedimento cirúrgico onde se remove todo o estômago, sendo assim, o esôfago é ligado diretamente com o intestino. Que louco né? Antes de passar por isso, não fazia ideia que uma pessoa pudesse viver sem estomago. Mas pode. Eu vivo sem estômago há quase um mês.
Então, eu fui diagnosticada com "Câncer gástrico" há um pouco mais de mês. Sim, foi tudo muito rápido. Logo eu que sempre tive saúde de ferro, que fazia exames de rotina e sempre estava tudo perfeito.
Nossa, foi um dos piores dias da minha vida! Quando o médico conversava comigo, eu já parecia estar em outra dimensão, em alguns momentos acho que ele virou a Professora do Charlie Brown, era tudo muito incompreensível mas o que eu não vou esquecer é "Carcinoma tipo difuso de Lauren". Era esse o nome do meu agressor, aquele que queria arrancar tudo, mas tudo mesmo, que eu tenho. Meu médico disse que essa doença é extremamente rara em alguém da minha idade, posto que ela atinge homens, geralmente com mais de cinquenta e poucos anos, que fumam e bebem com frequência ou com alguma predisposição na família. Tudo que eu não sou, tudo que eu não faço. Lembro bem quando ele falou: "as vezes o raio tem que cair em algum lugar e ele caiu em você". Verdade seja dita, a gente nunca pensa que o raio vai cair logo na gente né? Pode cair no vizinho, naquele colega, na mãe de fulano, mas em mim? Ah, em mim não! Sempre fui saudável, adoro esportes, logo comigo? Sim, comigo.
Dai foi aquela choradeira, aquela sensação de incerteza, uma tristeza muito grande.... e os planos? E tudo que eu quero pra mim? Meus pais, meu trabalho, minha faculdade, meus amigos, meu namorado...ah Deus, não é justo, eu tenho muita coisa pra fazer! Mas tem uma hora que a gente tem que parar de sentir pena de nós mesmos, não tem? Ou vai ficar todos os seus dias reclamando que a vida é injusta e se entregar sem ter tentado nada?
Meu gastro indicou um cirurgião e fomos até ele. Lembro que isso foi numa quarta-feira e por conta da gravidade da situação, esse cirurgião pediu máxima urgência pra me operar logo na segunda-feira que procedia.
Então eu fui operada. Fiquei mais ou menos 6 horas dentro da sala cirúrgica Eu não senti nada, claro. Mas quem ficou lá fora me esperando, minha mãe, meu pai e meu namorado, creio que foram 6 horas dramáticas. De lá fui pra CTI, onde senti muita dor e no dia seguinte, graças a Deus, fui pro quarto e pude ficar com a minha mãe.
Todos os momentos, desde quando fiquei consciente depois da operação e quando fui avisada que sairia da CTI, chamei a minha mãe. Que fragilidade! Uma marmanja deste tamanho só queria ficar perto da mamãe.
Ah, eu esqueci de mencionar, tenho 26 anos.
Fiquei 13 dias internada. Dias MUITO difíceis. Muita dor, desconforto...eu estava com uma sonda nasogástrica que me enjoava muito e me fazia salivar. Não conseguia me alimentar ainda, vomitava de minutos a minutos e sinceramente parecia que aquilo nunca ia parar. Mas para. A maioria das pessoas, até amigos mesmo, nem imaginavam que eu estava passando por aquilo. Por ma decisão minha, resolvi não contar pra muita gente. Alguns amigos souberam, me visitaram, ligaram pra minha mãe e alguns outros que souberam, acho que não estavam tão preparados pra passar por aquilo, mas enfim, como uma amiga minha que gosto muito falou, "têm certas coisas que a gente tem que passar sozinho" e isso é uma verdade.
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